1982: 18 - Gp do Mónaco

"Chegamos a um ponto de rídiculo onde estamos todos à espera de ver alguém a passar a meta, e parece que ninguém está disponível!"

James Hunt, BBC, 23 de maio de 1982

A três voltas do fim, o tempo, que até ali estava instável, decide deixar caí uma fina camada de água nas ruas monegascas. E isso é mais do que suficiente para baralhar as coisas. Começou logo na entrada da curva Tabac, quando Prost perde o controlo do seu carro e bate forte no guard-rail, acabando por desistir, entregando o comando a Riccardo Patrese, no seu Brabham.

O italiano da Brabham perseguia o francês da Renault desde o meio da corrida, sem o ultrapassar. E com isso, tudo parecia indicar que seria o italiano a vencer, ao iniciar a última volta no comando. Cinco anos depois da sua estreia naquelas ruas, a bordo de um Shadow, parecia que iria inscrever o seu nome na lista dos vencedores. Contudo, na descida para o gancho do Hotel Loews... fez um pião. Ele não sabia, mas tinha passado por cima do óleo do Williams de Derek Daly, que tinha quebrado a sua caixa de velocidades, e o óleo tinha sido misturado com a fina camada de chuva, fazendo com que o despiste fosse inevitável.

O pião fez-lhe perder tempo, mais do que suficiente para ver passar o Ferrari de Didier Pironi. Estava frustradíssimo. Afinal de contas, a sua chance de vitória tinha-se escapado por entre os dedos. Mas... o francês da Ferrari (uma equipa que ainda lambia as feridas do briutal desaparecimento de Gilles Villeneuve, quinze dias antes) ficou sem gasolina na entrada do Túnel, a meia volta do final. As câmaras de televisão procuravam afincadamente por saber quem teria sido o próximo a cortar a meta, e descobriram o Alfa Romeo de Andrea de Cesaris. Só que este estava parado na descida do Mirabeau... sem gasolina!

Ninguém. Não estava ninguém. Daí a irritação de James Hunt, em direto e a cores.

Mas alguém teria de passar... e cortar a meta em primeiro. "To finish first, you must first to finish", é o que dizem os ingleses. E Ricciardo Patrese tinha conseguido voltar a funcionar o seu carro. Mais: tinha conseguido cruzar a meta em primeiro lugar. Mas ele não sabia. Pensava que tinha perdido a corrida, mas apenas quando Didier Pironi lhe disse o contrário, é que acreditou.

Daí o famoso gesto de Patrese, quando saíu do carro: não tinha uma certeza oficial sobre quem tinha vencido. E nem a organização! Patrese subiu ao pódio... depois de a organização ter chamado os seus compatriotas Andrea de Cesaris e Elio de Angelis, pois eles acreditavam que tinham sido um deles a vencer! Na realidade, De Cesaris tinha sido terceiro e De Angelis o quinto, com Nigel Mansell pelo meio. Uma comédia, no meio das tragédias.

New Love food? Try foodtribe.
Loading...
Loading...
0
Loading...