A EMOÇÃO DA F1 EM TERRAS DE SUA MAJESTADE

Equipas e pilotos da Fórmula 1 permaneceram em terras britânicas para a quinta ronda do campeonato. O Circuito de Silverstone foi novamente o palco.

Equipas e pilotos da Fórmula 1 permaneceram em terras britânicas para a quinta ronda do campeonato. O Circuito de Silverstone foi palco, pela segunda vez, de um Grande Prémio da modalidade.

O Grande Prémio da Grã-Bretanha começou a dar que falar ainda fora das pistas. Um assunto que não deixou ninguém indiferente, talvez pela ambiguidade que lhe assiste. A Racing Point foi multada em 400 mil euros e 15 pontos no Campeonato de Construtores pela utilização ilegal de uma conduta de ar de arrefecimento dos travões. O protesto surgiu da equipa Renault e acusa a Racing Point de utilizar uma peça, originalmente, desenhada e fabricada pela Mercedes. A verdade é que o regulamento permite a aquisição de determinados componentes a outra equipa, por exemplo o motor Mercedes que a Racing Point utiliza. No entanto, componentes, especificamente, do chassis devem ser de produção própria.

A situação surge com algumas questões que colocam em causa a veracidade dos factos. Por um lado, os regulamentos são realizados de forma a serem cumpridos, rigorosamente, por cada equipa. Todos aqueles envolvidos nas lides de Fórmula 1 têm condições que devem ser seguidas, sem qualquer margem de erro. Por outro lado, deve ser explicado, de forma pormenorizada, o que se pode ou não fazer. Os regulamentos indicam que os componentes do chassis devem ser de produção própria, mas não refere, especificamente, que o design deve surgir da própria equipa. Para além disso, a Racing Point alega ter acordado, de forma positiva, com a FIA relativamente às origens do design das próprias condutas de travão. Uma organização tão poderosa, no mundo da Fórmula 1, como a FIA não se pode sujeitar a pormenores pouco explícitos. Uma vez aprovados os regulamentos, não deveriam ter dado luz verde relativamente ao design da Racing Point. Sem esquecer que os próprios regulamentos carecem de pormenores essenciais para perceber o que é ou não permitido. Caro leitor, fica apenas uma questão no ar: será que o protesto da Renault surge com outro fundamento e, por alguma razão, necessita de prejudicar a Racing Point para elevar a sua prestação nas lides de Fórmula 1?

Em Silverstone, o fim-de-semana foi de aniversário. Assinalaram-se os 70 anos de Fórmula 1, no segundo Grande Prémio do ano de 2020 em terras britânicas. A Mercedes voltou a rugir mais alto na qualificação. O finlandês Valtteri Bottas conquistou a pole position, com o britânico Lewis Hamilton a arrancar de segundo. Um excelente terceiro lugar de arranque para o Racing Point de Nico Hulkenberg. Max Verstappen, da Redbull, começou de quarto, na frente de Daniel Ricciardo da Renault. De sexto partiu o Racing Point de Lance Stroll, com o Alpha Tauri de Pierre Gasly em sétimo. O Ferrari de Charles Leclerc arrancou de oitavo, o Redbull de Alexander Albon foi nono e Lando Norris, em Mclaren, fechou o top 10 da grelha de partida.

O início da corrida mostrou-se bastante positivo para a Mercedes que, saída dos primeiros lugares da grelha de partida, rapidamente alcançou a liderança. Valtteri Bottas seguia em primeiro, depois de se defender dos sucessivos ataques do colega de equipa, Lewis Hamilton. O tão famoso carro cor de rosa, o Racing Point de Nico Hulkenberg, ainda lutou para se manter na sua terceira posição. No entanto, Max Verstappen, da Redbull, deu uso e beneficiou do jogo de pneus duros e, rapidamente, roubou o lugar de Hulkenberg.

Por norma, caro leitor, não costumo associar a palavra pesadelo à equipa Mercedes. Contudo, o Grande Prémio da Grã-Bretanha surgiu com um implacável pesadelo para a Mercedes. Valtteri Bottas e Lewis Hamilton estiveram numa verdadeira luta pela vida dos pneus dos seus respectivos monolugares. A primeira cena deste filme de terror surgiu com Valtteri Bottas, na volta número 13. O finlandês viu-se obrigado a ir às boxes, deixando assim o britânico Lewis Hamilton na liderança e a defender-se de um Max Verstappen. O filme continuou com uma ligeira troca de protagonistas. Na volta número 15 foi a vez de Lewis Hamilton ser chamado às boxes e, desta feita, Max Verstappen ficou com o caminho livre para chegar à liderança. O holandês da Redbull aguentou os pneus duros até à volta 27, quando foi chamado às boxes para calçar médios.

Com Verstappen nas boxes, Valtteri Bottas de tudo fez para chegar a líder. O finlandês liderou, mas por pouco tempo já que o furacão Max Verstappen parecia determinado em vencer e, por isso, conseguiu, facilmente, ultrapassar o finlandês. A Redbull foi exímia na estratégia que adotou, no Grande Prémio da Grã-Bretanha. Max Verstappen calçou pneus médios que apenas duraram seis voltas. O holandês foi, novamente, chamado às boxes na volta 33 para regressar ao jogo de pneus duros. Simultaneamente, o pesadelo da Mercedes continuava. Valtteri Bottas voltou a parar e Lewis Hamilton chegou à liderança. Contudo, a história pareceu repetir-se já que o britânico da Mercedes foi, por mais uma vez, às boxes na volta 45. Max Verstappen subiu ao primeiro lugar, Bottas era segundo e Leclerc chegou a estar em terceiro.

O Monegasco da Ferrari encontrou um obstáculo difícil chamado Lewis Hamilton que, com DRS ativado, rapidamente roubou o terceiro lugar ao jovem piloto. Mas o britânico não se deixou ficar por aqui e o próximo ataque foi ao colega de equipa, Valtteri Bottas. Tudo aconteceu na volta 50, quando Lewis Hamilton se colocou por fora e conseguiu deixar para trás o finlandês.

O Grande Prémio dos 70 anos da Fórmula 1 ficou marcada pela excelente estratégia da Redbull, o que se traduziu na vitória de Max Verstappen. Ainda que a Mercedes tenha apresentado problemas nos pneus, conseguiu garantir a presença no pódio, com o britânico Lewis Hamilton em segundo e Valtteri Bottas em terceiro. O monegasco da Ferrari, Charles Leclerc, foi quarto, na frente do Redbull de Alexander Albon. Seguiram-se os Racing Point com Lance Stroll em sexto e Nico Hulkenberg em sétimo. O Renault de Esteban Ocon foi oitavo, com o Mclaren de Lando Norris em nono. Pierre Gasly, da Alpha Tauri, fechou o top 10.

Nas contas do campeonato, Lewis Hamilton mantém-se lider com 107 pontos. O holandês, Max Verstappen, subiu ao segundo lugar com 77 pontos. Valtteri Bottas é terceiro com um total de 73.

A ronda número 6 do campeonato leva equipas e pilotos até Espanha entre os dias 14 e 16 de agosto.

Madalena Costa

Foto De Capa: Aston Martin Red Bull Racing

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