Tenho 31 anos de Formula 1 e não me recordo de algo parecido. Alguns falam-me de Jody Scheckter, mas o sul-africano ainda correu mais uma temporada para cumprir o contrato na Ferrari antes de abandonar o automobilismo. Outros falam-me de Alain Prost, mas o seu título de 1993 foi mais burocrático do que outra coisa, e ele já tinha mais três campeonatos no bolso. Provavelmente, a decisão mais próxima desta poderá ser a de Mike Hawthorn, que em 1958 venceu o Mundial pela Ferrari e logo a seguir, decidiu pendurar o capacete.

Pode-se pensar no que passou pela cabeça dele para tomar uma decisão como esta. Em muitos aspectos, é corajosa, mas há outros fatores a ter em conta. O Luis Fernando Ramos, o Ico, contou em Abu Dhabi que viu Nico "exausto mentalmente" quando alcançou o campeonato que tanto queria. Há um fundo de verdade nisso, quando vemos que o campeonato de 2016 foi o mais exaustivo da história, com 21 corridas. Quem tem famílias, sabe que voar de um lado para o outro em 21 fins de semana - quase metade do ano - causa mossas em qualquer um que tenha mulher e filhos. E ele poderá querer "sopas e descanso" para poder ver crescer os seus garotos.

Por outro lado, o ambiente na Mercedes nem sempre foi bom. Surgiu esta semana noticias sobre a tensão entre Lewis Hamilton e a equipa, especialmente depois das ordens que não cumpriu em Abu Dhabi, e agora, do incidente em Barcelona que tirou ambos os pilotos de prova. O inglês ameaçou abandonar a equipa - e a Formula 1 - de imediato, se não lhe dessem prioridade na equipa. Claro que Toto Wolff e Niki Lauda não lhe deram cavaco ao inglês, mas ele também não cumpriu com a ameaça. As coisas acalmaram-se, mas ele não engoliu muito bem as ideias e decisões da equipa.

A ideia de ver a Mercedes em desintegração, sem pilotos para 2017, é, por incrível que pareça, algo bem possível. A relação entre Hamilton e a cúpula, como puderam ver, não é das melhores, e provavelmente ele poderá pensar em mudar de ares quando cumprir o seu contrato. Nada lhe garante que possa seguir o mesmo rumo no final de 2017, quando alcançar um eventual quarto titulo mundial, mas mesmo que não o faça, a ideia vai ficar sempre no ar.

Como é óbvio, a Mercedes não tem pressa. Pilotos para esse lugar não faltarão e resta esperar para depois do Natal para saber quem eles vão escolher.

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