Se você é um apaixonado por carros, deve ter passado por uma situação semelhante: ao sentar para assistir um filme que envolva carros em alta velocidade, ao invés de curtir, nada consegue tirar o pensamento de que "carros não funcionam desse jeito". Este tipo de coisa já se tornou tão comum (os últimos filmes da agora saga Velozes e Furiosos são a prova disto) que ao ir assistir Ford vs Ferrari semana passada, não quis elevar minhas expectativas, apenas manter a mente aberta.

O FILME COMO UM FILME

Antes de tudo, o filme é visualmente deslumbrante. Desde os cenários, aos detalhes de contextualização de época (como as garrafas de refrigerante) e claro, os carros, tudo é maravilhoso e cinematográfico. O longa é realmente um prato cheio para os olhos, e após o término, fica a vontade de fazer uma viagem no tempo para poder viver aquela época.

Mas ok, vamos falar da história. Se você está lendo esse texto, você provavelmente já sabe como tudo rolou: a Ford querendo entrar no mundo do automobilismo mundial tenta comprar a então falida Ferrari, sucesso absoluto nas pistas, para então criar numa nova equipa. Os italianos pulam fora do negócio no último instante e fecha a venda com a Fiat. Ford então buscando vingança quer construir um carro para vencer Ferrari em Le Mans, e para isso contrata Carroll Shelby para desenvolver o GT40, e em 1966, conseguem o primeiro, segundo e terceiro lugar nas 24h (tudo isso aconteceu há mais de 50 anos, então não chega a ser spoiler né?).

Ainda que diferentes, os dois estão ligados à mesma paixão: corridas e a vontade de vencer.

Perceberam algo faltando? Um personagem chamado Ken Miles talvez? Pois é. Vou ser sincero, até ver o trailer deste filme eu e talvez mais alguns de vocês não tinham nem ouvido falar do piloto. Uma total injustiça , afinal sem ele, o feito da Ford provavelmente não teria acontecido. Contudo, o ator escolhido para representá-lo, Christian Bale, faz um ótimo trabalho. Se você não sabia quem era Ken Miles, o filme é o melhor jeito de descobrir.

Shelby e Miles

Shelby e Miles

Enquanto Shelby (Matt Damon) é tranquilo e despojado, Miles é alguém de temperamento forte e que não mede suas palavras. suas palavras. A relação entre os dois é um dos pontos altos do filme, e destaca que apesar das diferenças, os dois estão ligados à mesma paixão: corridas e a vontade de vencer.

O filme conta com algumas "liberdades criativas" que claramente não aconteceram, mas o mais incrível é que alguns absurdos realmente aconteceram, tornando a história ainda mais cativante.

THE GOOD STUFF: PILOTAGEM E CARROS

Nesse caso, fico feliz em reportar que sim: Ford vs Ferrari possui excelentes cenas de pilotagem. Nada de ação exagerada por aqui, com carros que desafiam as leis da física. Ainda que hajam algumas coisinhas que te fazem coçar a cabeça, o filme impressiona. As corridas possuem tomadas feitas de fora dos carros, mas as que se destacam são de dentro do cockpit. Cada sequência te deixa colado na cadeira do cinema, transmitindo muito bem a sensação de estar em um carro de corrida da época, com barulhos de componentes batendo e os motores roncando alto, assim como o suspense de estar a 320km/h em um carro sem aerodinâmica e praticamente sem freios.

Aim for the apex

Aim for the apex

O filme ainda merece reconhecimento a mais pelo baixo uso de computação gráfica - as batidas e carros são reais (réplicas é claro) e os pilotos contratados fazem um trabalho excelente.

Os modelos de carros usados são incríveis e vê-los na tela do cinema é sensacional. Além dos óbvios Fords e Ferraris, o filme conta com modelos de montadoras como Porsche, MG, Chevrolet e algumas outras. Quando os carros estão em cenas mais "calmas", geralmente estão muito bem limpos e te deixam babando, e em cenas de corrida, os carros sempre ficam sujos e com resquícios das batalhas na pista - como todo carro de corrida deve estar.

CONCLUSÃO

Infelizmente poucos filmes vêem gearheads como público principal, afinal somos uma minoria. Não tenho certeza se esse é o caso de Ford vs Ferrai, mas a verdade é que isso não importa - ele faz de tudo para nos agradar. Ah, quer uma dica? Faça um favor a si mesmo e vá ao cinema para assistir. Sei que as entradas dos cinemas andam meio caras (ainda mais se levar pegar pipoca) mas ver os carros e ouvir os motores V8 e V12 berrando no seu ouvido realmente não tem preço.

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