LE MANS 2017 – NEM SEMPRE O MAIS RÁPIDO VENCE

Retrospectiva da participação da toyota nas 24 horas de le mans de 2017

A Toyota, com a inclusão de um terceiro carro, teve tudo para vencer pela primeira vez as 24 Horas de Le Mans. Ou quase…

De facto, os nipónicos foram os autores da pole position, ainda por cima com um novo recorde da pista com a atual configuração: 3m14.791s! Kamui Kobayashi foi o autor deste impressionante registo. Ele que, juntamente com o veterano piloto francês Stéphane Sarrazin e o inglês Mike Conway, iria conduzir o carro #7. O francês Sébastien Buemi, o inglês Anthony Davidson e o japonês Kasuki Nakajima encarregavam-se de levar o carro #8 na segunda posição da grelha de partida, ao passo que o francês Nicolas Lapierre, o argentino José Maria Lopez e o japonês Yuji Kunimoto colocaram o carro #9 na quinta posição da grelha.

De facto, a corrida começou de modo bastante favorável para a Toyota. Ainda que, por breves momentos, o carro #8 se tenha deixado ultrapassar por um Porsche, voltando-se a colocar momentos depois à frente deste. Ainda na primeira hora, houve uma luta engraçada entre os carros #7 e #8, mas definitivamente o carro #7 se foi distanciando. Os dois Porsche andavam a bom ritmo, mas sempre mais lento que os dois Toyota, que pareciam bem embalados, a certa altura, para uma dobradinha. Os germânicos apenas eram mais rápidos dos que o carro #9. Nem alguns momentos de “slow zones” abalavam a vantagem dos nipónicos. Aliás, como se verificou, no momento de saída de cada uma dessas secções, os nipónicos eram mais rápidos a acelerar.

Nada fazia antever o pior, a não ser o velho fantasma do abandono. Até porque o primeiro LMP1-HY a ter problemas foi o Porsche #2, ainda na fase diurna. Contudo, logo nas primeiras horas da noite, Sébastien Buemi queixou-se de um eventual problema no carro #8 e, assim que chegou às boxes, o bólide começou a deitar fumo de imediato, obrigando a uma reparação de cerca de 2 horas, devido a sobreaquecimento dos travões. Mais tarde, um dos Ford GT da categoria GTE-PRO aterrou na gravilha de Arnage e, ao regressar à pista, deixou muitas pedras pequenas da dita cuja uns quanto metros adiante, o que obrigou à entrada do Safety Car durante largos minutos. Nesse momento o carro #7 entra nas boxes para um serviço completo – reabastecimento, mudança de pneus e troca de piloto. Sai Stéphane Sarrazin e entra Kamui Kobayashi. É então que se dá um momento insólito: o piloto japonês, confundindo um piloto de outra equipa com um comissário de pista, talvez devido à cor parecida do fato de ambos, acaba por fazer vários pára-arrancas pois não entendeu que a equipa lhe estava a ordenar para ficar quieto até receber ordens da mesma para arrancar em segurança. Acaba por arrancar, mas a fase lenta do Safety Car veio a durar ainda mais algum tempo, devido à remoção das pedras da gravilha. Quando a pista ficou no estado “verde”, eis que, assim que o Toyota #7 tenta voltar ao ritmo normal, pura e simplesmente não consegue passar da primeira marcha, marchando lentamente, até que na zona das Hunaudières, pára de vez, devido à previsível quebra da embraiagem. Kobayashi sai do carro, visivelmente desapontado, aplaudido pelos adeptos que estavam naquela zona. Nessa altura, o carro #8 tinha regressado à pista, mas muito atrasado.

As esperanças ficaram depositadas no carro #9, desde que este não se metesse por atalhos. Mas, eis que Nicolas Lapierre envolve-se num acidente com um LMP2, sai de pista, atravessando a camada de terra ainda na zona da reta da meta, voltando depois a entrar na pista com danos visíveis na zona traseira da carroçaria, ao mesmo tempo que o pneu traseiro esquerdo foi rebentando, acabando por causar um princípio de incêndio que danificou o sistema de recuperação de energia, depois o radiador de óleo, depois a caixa e, por fim, o motor. Tudo isto causou uma falha total do sistema e, já perto da zona das boxes, foi obrigado a abandonar. Num curto espaço de tempo, dois carros abandonaram ingloriamente a corrida. Restava ao carro #8 ir atrás do prejuízo, acabando por não conseguir além do nono lugar à geral. Um resultado muito aquém das expectativas e que deixou toda a estrutura de rastos…

“A tecnologia híbrida mostra a sua força nas corridas de seis horas, mas pode ainda não estar preparada para corridas de longa distância, como as 24 horas de Le Mans”, reconheceu Akio Toyoda, presidente da casa-mãe da Toyota. Apesar disso, “isto não significa, porém, que a Toyota vai abandonar as 24 Horas de Le Mans. Muito pelo contrário. Voltaremos mais forte e mais determinados do que nunca. O nosso desafio Le Mans irá continuar”. Desta forma, o neto do fundador da antiga firma Toyoda, Kiichiro Toyoda, reafirma a ambição de vencer Le Mans e promete levar os seus carros para Le Mans em 2018. Será mesmo que isso vai acontecer? É isso que todos desejamos, para bem do espectáculo…

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Comments (1)

  • Tive a sorte de ir ao stand da Toyota em Paris este verão. e lá estava exposto o lendário gt one 😀

      4 years ago
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