Quando a BD pensou no pior

Sim, há um livro de Banda desenhada que imaginou a divisão da Formula 1.

Lembro-me de ler esse livro quando era criança, em meados da década de 80. Um dia, Bernie Ecclestone e Jean-Marie Balestre zangaram-se de tal forma que cada um seguiu o seu caminho, fazendo a sua própria competição. Houve uma temporada onde a Lotus estava numa competição, e a Renault (e a Ferrari) estavam noutra. E nenhum dos lados se reconciliava por muito tempo. É sobre isso que falo hoje.

"Caos na Formula 1" era um livro de Michel Vaillant, desenhado e escrito por Jean Graton e apareceu em 1982, um ano depois dos acontecimentos que (quase) dividiram e destruíram a Formula 1. A história é simples: FOCA e FISA dão-se definitivamente mal e cada um faz a sua competição. A FOCA fica com equipas como Williams, Lotus, McLaren ou Tyrrell, enquanto que a FISA fica com as equipas "não-Cosworth" como a Ferrari, Renault ou Alfa Romeo, em equipas de três pilotos cada. A Vaillant aproveitou a ocasião para se retirar e Michel será piloto da Renault, ao lado de Alain Prost e René Arnoux.

As temporadas de ambos seguem, enquanto que, paralelamente, Vaillant e Steve Warson seguem a sua luta entre eles. O americano é piloto da Lotus, ao lado de Elio de Angelis e Nigel Mansell, e lá fazem os seus resultados. Contudo, com o tempo, e os ânimos a arrefecerem, ambos os lados decidem fazer uma corrida de reconciliação, no novo autódromo de Spa-Francochamps, liderado por Jacky Ickx. A corrida acaba com uma vitória "ex-aequo" de Vaillant (Renault) e Warson (Lotus) e ambos reconciliam-se.

Michel Vaillant piloto da Renault? Nesta ocasião, sim...

Michel Vaillant piloto da Renault? Nesta ocasião, sim...

É certo que nada disto se passou, mesmo em termos de fantasia, mas a ideia estava presente: o que aconteceria se a Formula 1 se separasse? Essa ideia pairou sobre as cabeças de todos entre 1980 e 82. As "corridas-pirata", as ideias de Balestre, contrariadas por Ecclestone, o patrão da Brabham que "dava a cara" pelas equipas, mas que aproveitava sempre a ocasião para colocar mais uns cobres no seu cofre pessoal... mas também teve a ver com poder. O poder de controlar a Formula 1, os seus dinheiros, o seu calendário, os seus regulamentos... tudo.

E ambas as personalidades colidiam. Autoritários, mandões, odiavam o contraditório. Não acreditavam na democracia pois isso seria o caminho aberto para a anarquia, e um pouco de pulso firme não fazia mal, pois todos os chefes de equipa são crianças que nunca cresceram. É certo que a Formula 1 é um mundo de egoístas, mas no final, lá se acabam por entender, porque estão todos no mesmo barco, e o fim da competição significa o fim do seu ganha-pão. Mas teve de ser novo boicote para que todos chegassem a um acordo. O Pacto de Concórdia, que está em vigor desde então, e que redistribui os dinheiros entre a FIA e as equipas. E até aqui, dava uma generosa comissão ao "anão tenebroso"...

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